A Prefeitura de Blumenau, por meia das secretarias de Cultura e Relações Institucionais (SMC) e de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), concluiu a fase de identificação das árvores do Horto Botânico Edith Gaertner, localizado junto ao Cemitério dos Gatos. O projeto faz parte da revitalização do espaço visitado por moradores locais, turistas e estudiosos em geral. Nesta primeira etapa, 49 árvores foram mapeadas, sendo que 43 já estão identificadas, sobretudo as palmeiras, pelo valor histórico, pelo interesse acadêmico e por ser especialidade do fundador da cidade, Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau. Placas com os nomes das árvores, algumas centenárias, foram fixadas para a orientação dos visitantes que percorrem as trilhas.
O surgimento do horto às margens do Ribeirão Garcia remonta ao século 19, quando foi utilizado pelo próprio fundador da cidade para pequenos experimentos botânicos. Dentre as espécies plantadas por ele está o Ginkgo Biloba, frequentemente referido como um "presente da China" ao mundo e conhecido em alguns locais como nogueira-do-japão ou árvore-avenca.
Outro destaque identificado no local é um Cipreste Alemão plantado em 24 de dezembro de 1864, durante uma ceia de Natal com a presença de Victor Gaertner e o Pastor Rudolf Oswaldo Hesse. Também constam no mapeamento bambus da Índia e palmeiras imperiais, algumas trazidas pelo Dr. Blumenau, que planejava plantar bambuzais às margens do Rio Itajaí-Açu.
“É incrível imaginar que figuras proeminentes da história de Blumenau como o próprio Doutor Blumenau, além de Fritz Müller e Emil Odebrecht não só andaram por este bosque, como plantaram a partir da metade do século 19. A identificação das árvores é um presente ao visitante e nos traz muitas reflexões sobre a observação científica dos imigrantes que vieram para esta terra”, comenta o secretário municipal de Cultura, Sylvio Zimmermann. “Talvez o local tenha se tornado conhecido pelo Cemitério dos Gatos, mas são as espécies exóticas e nativas que fazem dele um espaço único e especial”, complementa.
Jardim familiar
O terreno onde está o horto também pertenceu à família Gaertner. O nome da área é uma homenagem à atriz e sobrinha-neta do Dr. Blumenau, Edith (1882-1967), que dedicou os últimos anos de vida à fotografia, ao cuidado do jardim e aos gatos de estimação. Após a morte, ela deixou a residência e o terreno dos fundos (o jardim) para o município com o objetivo de preservar esse patrimônio.
A municipalidade preservou no espaço as lápides onde os gatos de Edith eram sepultados, no “Cemitério de Gatos”. No final dos anos 1960, o local abrigou um minizoológico com algumas espécies de aves e de animais de pequeno porte, que mais tarde, em 1983, foi desativado em decorrência das cheias.
O espaço também recebeu uma estátua em bronze do “Manneken Pis”, uma réplica do famoso símbolo de Bruxelas, na Bélgica. A obra é do escultor Miguel Barba. Além dessa obra de arte, o horto possui um busto de Edith Gaertner e, em 2015, recebeu esculturas de oito gatos estilizados, com o propósito de valorização do espaço, além de outras esculturas de gatos estilizados, que representam o amor de Edith pelos animais.
A diretora do Arquivo Histórico José Ferreira da Silva, professora Sueli Petry, ressalta a importância da classificação e identificação das espécies de palmeiras raras e árvores originárias de pontos distantes, trazidas pelo Dr. Blumenau e por ele plantadas. “Historicamente os terrenos que integram o horto eram propriedade do fundador. Foram projetados dentro do contexto da área urbana da Blumenau Colônia. Nas proximidades, faziam parte deste conjunto, as residências do diretor Hermann Blumenau, do vice-diretor Hermann Wendeburg e do cônsul Victor Gaertner, sobrinhos de Blumenau. É importante que se registre que esse espaço é o último modelo colonial do século 19 que não perdeu as suas características originais”.
As preciosidades nas trilhas do Horto Botânico Edith Gaertner
Espécies arbóreas mapeadas: 49
Árvores identificadas: 43
Árvores em fase de identificação: seis
1 - Cupania vernalis/Camboatá-vermelho
2 - Eugenia brasiliensis/Grumixameira
3 - Nectandra membranácea/Canela
4 - Plinia cauliflora/Jabuticabeira
5 - Plinia cauliflora/Jabuticabeira
6 - Camellia japônica/Camélia
7 - Eugenia uniflora/Pitangueira
8 - Coffea arábica/Cafeeiro
9 - Ceiba speciosa/Paineira
10 - Eugenia brasiliensis/Grumixameira
11 - Euterpe edulis/Palmiteiro-juçara
12 - Libidibia férrea/Pau-ferro
13 - Rhapis excelsa/Palmeira-ráfia
14 - Eugenia brasiliensis/Grumixameira
15 - Bambusa vulgaris/Bambu
16 - Citharexylum myrianthum/Tucaneira
17 - Myrsine coriacea/Capororoca
18 - Cupressus funebris/Cipreste
19 - Pseudobombax majus/Embiruçu
20 - Tabernaemontana catharinensis/Jasmim-pipoca
21 - Ceiba speciosa/Paineira
22 - Ginkgo biloba/Ginkgo
23 - Albizia lebbeck/Faveiro
24 - Cupressus funebris/Cipreste
25 - Cabralea canjerana/Canjerana
26 - Plerandra elegantíssima/Arália
27 - Cycas circinalis/Palma-de-ramos
28 – Plinia cauliflora/Jabuticabeira
29 - Livistona chinensis/Leque-chinês
30 - Cupania vernalis/Camboatá-vermelho
31 - Dypsis lutescens/Palmeira-família
32 - Araucaria angustifólia/Araucária
33 - Agathis robusta/Pinheiro da Nova Zelândia
34 - Euterpe edulis/Palmito-juçara
35 - Syagrus romanzoffiana/Coqueiro-jerivá
36 - Ficus gomelleira/Figueira-brava
37 - Ceiba speciosa/Paineira
38 - Campomanesia reitziana/Guabiroba-crespa
39 - Bambusa vulgaris/Bambu
40 - Roystonea oleracea/Palmeira imperial
41 - Citharexylum myrianthum/Tucaneira
42 - Tibouchina granulosa/Quaresmeira
43 - Tibouchina mutabilis/Manacá-da-serra
Por : Sérgio Antonello - Fotos: Michelle Lamin - PMB
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